segunda-feira, 18 de maio de 2009

Biofertilizante

O biofertilizante se destaca por sere de alta atividade microbiana e bioativa e
atuam nutricionalmente sobre o metabolismo vegetal e na ciclagem de nutrientes no
solo, sendo de baixo custo e podendo ser fabricados pelo produtor rural
(CHABOUSSOU, 1985), o qual nada mais é do que um adubo orgânico líquido,
resultante da decomposição da matéria orgânica (animal ou vegetal), por meio de
fermentação em meio líquido. O resíduo líquido é utilizado com adubo foliar
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(biofertilizante), enquanto o resíduo sólido é aplicado como adubo orgânico. Além de
fonte nutritiva, pode ser utilizado como defensivo natural, uma vez que é meio de
crescimento de bactérias benéficas à planta (BETTIOL et al., 1997).
Os biofertilizantes são ricos em metabólitos (micro e macromoléculas) tais
como: enzimas, antibióticos, vitaminas, toxinas, fenóis e outros voláteis, ésteres e
ácidos, inclusive de ação fito-hormonal (SANTOS, 1996). Para Martins (2000),
etimologicamente biofertilizante quer dizer fertilizante vivo, isso porque o resíduo da
produção de biogás pela fermentação anaeróbica, independente de líquido ou sólido,
contém microorganismos e tem como característica principal, a presença de
microorganismos, responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, produção
de gás e liberação de metabólitos, entre eles antibióticos e hormônios (BETTIOL et
al., 1998).
O aproveitamento dos resíduos orgânicos de origem animal, especialmente
do esterco de bovinos, como fertilizantes, é um assunto relativamente pouco
estudado no Brasil. Existem dúvidas, principalmente quanto às características físicas
e químicas do esterco, bem como com relação às quantidades aplicar nas culturas
para a obtenção de rendimentos satisfatórios, seja através do seu uso exclusivo
como fertilizante ou associado à adubação mineral (BARCELLLOS, 1991).
O biofertilizante produzido da fermentação anaeróbica de esterco de vaca,
quando aplicado entre 10 e 30% por via foliar, apresenta efeitos nutricionais
consideráveis, inclusive aumento da área foliar em diversas culturas. Em frutas, a
aplicação via foliar do biofertilizante a 20% aumentou o vigor e a produção de citros e
de maracujá (BETTIOL et al., 1998).
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Em hortaliças, Santos (1991 a/b) verificaram que mudas de tomate e de
pepino pulverizadas com biofertilizante, apresentaram maior vigor. Já segundo
Pineiro e Barreto (2000) o uso de biofertilizante na concentração de 5%, além de
fornecer nutrientes, adiciona ao solo metabólitos intermediários como enzimas,
vitaminas e hormônios de crescimento, o que favorece a disponibilidade de
elementos essenciais, pela ação de microorganismos.
Em hortaliças pulverizações de um biofertilizante líquido de fermentação
aeróbica, produzido à base do composto orgânico Microgeo®, em concentrações de
0,5 a 1%, manejada com uso concomitante da rocha moída MB-4® (mistura de
micaxisto e serpentinita) e esterco bovino sobre o solo, têm produzido resultados
significativos na sanidade e na produção de pepino, berinjela, tomate, alface e
pimentão, tanto em estufas como em condições de campo aberto (MEDEIROS et al.,
2000) Na produção de mudas de tomate e de pepino, Santos (1991 a/b), verificaram
maior vigor, naquelas pulverizadas com biofertilizantes.
No solo, segundo Oliveira et al. (1986), a aplicação do biofertilizante promove
a melhoria das propriedades físicas tornando os solos mais soltos, com menor
densidade aparente e estimula as atividades biológicas. Geralmente reduz a acidez
do solo com a utilização continuada ao longo do tempo e o enriquece quimicamente.
Essa relação se deve à sua capacidade de cargas negativas (GALBIATTI et al.,
1996) Nesse sentido, aumentos nos teoes de P, Ca, Mg e K no solo foam
observados por Olieira et al. (1986) e Vargas (1990).
Na sua composição além de N, P e K é detectada também concentração
considerável de micronutrientes como boro, cobre, cloro, ferro, molibidênio,
manganês e zinco (OLIVEIRA e ESTRELA, 1984).
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Testes realizados in vivo comprovaram que o biofertilizante líquido, quando
aplicado puro, é um excelente nematicida e larvicida, agindo de maneira fumigante e
asfixiante quando em contato com nematóides e larvas existentes em solos muito
contaminados (VAIRO e AKIBA, 1996). Nesse sentido, Vairo et al (1992 a, b),
utilizando biofertilizante líquido em condição de laboratório, verificaram inibição da
germinação de esporos de fungos fitopatogênicos como Colletrotrichum
gloesporioides, Thielaviopsis paradoxa, Penicillium digitatum, Rhizopus sp,
Cladosporium sp e Fusarium. Castro et al. (1991) verificaram o controle de T.
paradoxa em toletes de cana e Gadelha et al. (1992) obtiveram o controle da
fusariose em abacaxizeiro.
O biofertilizante possui também ação bactericida e inseticida, quando usado
previamente em pulverizações foliares ou no solo e em condições controladas, reduz
as concentrações de bactérias patogênicas desde que sejam inferiores a 105
células/ml (VAIRO et al., 1993 a/b). Com relação a redução de insetos-praga
segundo Vairo e Akiba (1996), atua confundindo o olfato do inseto, aderindo-se à
folha por ação de uma substância coloidal que é adesiva e por outro tipo de ação
que é a desidratação dos insetos.

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